Futebol de rua não é a melhor maneira de desenvolver a criatividade



Bom dia, boa tarde, boa noite. Tudo bem? Sou brasileiro, peladeiro, joguei no asfalto, areia, praia, futebol de salão, futebol de campo, calçado, descalço, na lama, no barro e afirmo sem sombra de dúvidas que o futebol me ensinou muito do (pouco) que sei hoje.


Dentro e fora das “4 linhas”. Veja bem: não estou negando o papel fundamental do jogo de rua (livre) como formador de um jogador criativo e nem a importância que ele teve na formação do DNA do futebol brasileiro. Tampouco estou fazendo apologia ao “treinamento robotizado e milimetricamente controlado” pois isso fere a essência do jogo de futebol, que é a alta imprevisibilidade decorrente da complexidade que o jogo de futebol apresenta. Vamos deixar os extremos de lado.


Nós presumimos que as regras inibem irremediavelmente o que seria, de outra forma, a criatividade ilimitada e intrínseca das nossas crianças, mesmo que a literatura científica indique, primeiro, que a criatividade além do trivial é absurdamente rara e, segundo, que limitações criteriosas facilitam, em vez de inibirem, a realização criativa.


A crença no elemento puramente destrutivo das regras e das estruturas é frequentemente combinada com a ideia de que os jogadores farão boas escolhas sobre o jogo se simplesmente permitirmos que suas naturezas perfeitas se manifestem. Sabemos que essas são suposições sem fundamento assim como também sabemos da importância dos limites. Tais limites, quando descobertos, oferecem segurança no longo prazo, mesmo que sua detecção cause decepção ou frustração momentâneas.


Volto a repetir: “criatividade além do trivial é absurdamente RARA.” Futebol de rua tem seu valor e sua relevância na formação do jogador brasileiro. Não pode jamais ser abandonado. Faz parte de nossa essência. Mas também não pode ser endeusado nem usado como muleta para justificar falta de criatividade ou de títulos.


Dois dos fatores primordiais no processo de ensino-aprendizagem são a repetição e o feedback. Na rua, ambos são orgânicos. Sob a batuta de um excelente maestro (professor/treinador) tanto um como o outro (repetição e feedback de qualidade) acontecem mais vezes, através da correta manipulação de situações de jogo real. Logo, a evolução será mais rápida, se bem guiada. Daí a importância de bons mestres, professores e treinadores.


Um forte abraço e que venham as críticas.


DEUS te abençoe.

Marcelo Salazar – Treinador de futebol

11.02.2022

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