
Goleiro-jogador no futebol.
Evolução ou invenção?
E aí, tudo bem?
Espero que sim.
Aproveitando que último dia 26/04 foi o dia do goleiro, me arriscarei a fazer uma reflexão acerca das mudanças que essa posição vem sofrendo nos últimos tempos, sobretudo na questão de jogar com os pés.
Na minha época de criança e adolescente, lá em Recife, alguns goleiros ficaram gravados na minha memória como Luís Neto e Birigui (Santa Cruz), País (Sport) e Mauri (Náutico). Todos eles destacaram-se pela sua grande capacidade de defender as bolas usando as mãos.
Hoje em dia, no futebol, vemos cada vez mais goleiros se destacando pela sua capacidade/habilidade em participar ativamente seja na construção do jogo seja na circulação de bola. “Saber jogar” tornou-se um ponto valioso de diferenciação na posição. Alguns goleiros são contratados enquanto outros são dispensados por conta desse quesito. No futsal, chama-se coloquialmente goleiro-linha ou goleiro-jogador.
Minha questão é: "Se no futsal a utilização desse recurso se justifica por oferecer uma grande vantagem tanto em manutenção de posse quanto em criação de oportunidades de finalização, no futebol, qual é a grande vantagem que a utilização frequente do goleiro no jogo com os pés oferece?"
Eu sei que esse é um aspecto muito individual do modelo de jogo de cada treinador, mas é que tenho visto com cada vez mais frequência equipes sofrendo gols por falhas na saída de bola curta com os goleiros. E o gol custa caro demais no futebol. Por outro lado, a vantagem gerada por um bom passe (curto) do goleiro raramente coloca a sua equipe em uma grande possibilidade de finalização.
Será que o risco compensa o benefício?
Sem contar as inúmeras vezes que vemos hoje em dia zagueiros, laterais e volantes recuando a bola por recuar, colocando o goleiro em aperto por não terem personalidade/capacidade de jogarem a bola pra frente. Inversão de papeis e transferência de responsabilidade.
Como disse antes, repito agora: esse é um aspecto do modelo de jogo de cada treinador, e se faz parte do modelo, deve ser treinado individual e coletivamente para ser posto em prática no jogo. E esse treinamento (preparação) deve ser exaustivo para que todos tenham CLAREZA sobre QUANDO, ONDE, COMO, POR QUE e PARA QUE utilizar esse recurso.
O que achas?
O comentário crítico é livre e muito bem-vindo.
Forte abraço. DEUS te abençoe.
Marcelo Salazar – 30.04.2026

"Vitória de afirmação no clássico. Contra o Al Hilal, fomos dominantes do início ao fim: 4–0."
"Encerramos a fase regular com consistência de equipe grande: 3º lugar, melhor defesa da competição, segundo melhor ataque e o melhor saldo entre os 24 clubes. Números que refletem identidade, trabalho diário e mentalidade competitiva."
"Agora o foco vira a chave. Começam os playoffs — quartas de final no fim de abril, em ida e volta. Outro nível de exigência. Mesma ambição."
Melhores momentos: https://x.com/i/status/2041250363160900094
Seguimos. 💛💙
Marcelo Salazar
Head Coach Al Nassr - U21

- FBTF

- 1 de abr.

Tudo bem?
Já ouviu falar no termo “caórdico”?
O conceito de caórdico vem da junção de duas ideias aparentemente opostas: caos e ordem. O termo foi popularizado por Dee Hock, fundador da Visa, ao descrever sistemas que funcionam de forma equilibrada entre estrutura e liberdade.
Penso que o futebol, em sua essência mais pura, é caórdico.
Entre a ordem e o caos, o jogo se constrói num equilíbrio instável: há princípios, estruturas, ideias treinadas à exaustão — mas também há o imprevisto, o erro, o acaso que escapa a qualquer modelo. Um passe que foge do roteiro, um desvio sutil, uma decisão tomada em milésimos que redefine tudo.
O campo é, ao mesmo tempo, um sistema organizado e um organismo vivo. As equipes buscam controlar espaços, tempos e comportamentos, mas o jogo insiste em se rebelar, lembrando que nem tudo pode ser domesticado. É nesse território híbrido — onde a disciplina encontra a improvisação — que o futebol revela sua verdadeira riqueza.
Ser caórdico no futebol não é ausência de controle, mas a capacidade de conviver com a incerteza sem perder a identidade. É treinar o suficiente para que, no caos, surja a ordem. E confiar que, mesmo quando tudo parece desorganizado, existe uma lógica invisível guiando os que sabem jogar.
No futebol de alto nível, tudo que é rígido demais quebra.
E tudo que é solto demais se perde.
Ordem que orienta.
Caos que liberta.
Esse é o equilíbrio.
O jogo é caórdico.
O que achou? Já conhecia o conceito?
Tem sentido?
Abraço e que Deus abençoe você e sua família.
Marcelo Salazar
29/03/26


















